Novos ventos de um Paissarinho
passaro
terça-feira, 24 de junho de 2014
segunda-feira, 23 de junho de 2014
sábado, 14 de junho de 2014
O mundo em quase 4
Todo dia quando acordo (entre 5 e 6 da manhã) para deixar a mamãe esticar o descanso por mais umas 3 horinhas sem compromisso com o pequeno, chego no quartinho dele ansioso pelo sorrisão de bom dia que recebo quando me vê. Aquele sorriso molinho de quem acabou de acordar e está todo relaxado... e quentinho. Deito com ele na cama para me contar tudo o que ele quer fazer no dia, ou descrever como foi a noite ou na verdade apenas brincar com os sons da boca - que são vários e a cada dia ele experimenta um som novo.
Tenho estado frequentemente em uma postura de recebimento. Cada dia ele me traz uma coisa nova, seja um movimento diferente no corpo, nos braços, na cabeça, até mesmo uma reação diferente. Esses dias ele me presenteou com uma gargalhada que respondia quando eu dizia (miau!). Fiquei muito emocionado com isso, não só pela gargalhada que foi uma delícia, mas pela interação de pergunta e resposta. Foi bonito perceber claramente seu desenvolvimento e pensar: uau! Ele tá crescendo...
Hoje foi meu primeiro dia inteiro sem a mãe. Com uma programação animada de saída de carro e tudo. Estava um pouco apreensivo. Aquele medo de não saber lidar com o bebê se ele não curtir nada... Aquele acalento que só a mamãe (e suas tetas de leite) podem dar. A fase da aprovação da mamadeira já passou e ele super topa. Isso já é um grande alívio pra mim, e também uma conquista. Quando pude amamentá-lo no meu colo pela primeira vez e sentir que estava alimentando meu filho, isso é algo que também não posso traduzir em palavras.
Não havia nada em que dar errado. Aliás, não tem nada errado. Choro = sono ou fome. Tinha sling e mamadeira. Pronto. O medo era outro. Mais um rito de passagem. O pai se apresenta sozinho com seu filho para a comunidade e assume sua responsabilidade sobre aquela vida perante todos. Esse pai que vai mostrar o mundo para seu filho e compartilhar sua visão e seus valores.
Mas que mundo será que esse pai vai mostrar?
Esse mundo rodeado de amigos, música e arte. É pra lá que eu fui e encontrei meu amigo Rodrigo, que me inspira como homem e pai. E ficamos juntos por um tempo e brincamos com o Ivo, e novos amigos se juntaram e minha amiga Kenia (esposa do Rodrigo) e muitas crianças... Tudo certo.
É isso.
Não vamos sozinhos no mundo.
Mas preciso estar sozinho para me juntar a ele.
E de agora em diante levo comigo meu filho Ivo.
Até quando ele não quiser mais...
Tenho estado frequentemente em uma postura de recebimento. Cada dia ele me traz uma coisa nova, seja um movimento diferente no corpo, nos braços, na cabeça, até mesmo uma reação diferente. Esses dias ele me presenteou com uma gargalhada que respondia quando eu dizia (miau!). Fiquei muito emocionado com isso, não só pela gargalhada que foi uma delícia, mas pela interação de pergunta e resposta. Foi bonito perceber claramente seu desenvolvimento e pensar: uau! Ele tá crescendo...
Hoje foi meu primeiro dia inteiro sem a mãe. Com uma programação animada de saída de carro e tudo. Estava um pouco apreensivo. Aquele medo de não saber lidar com o bebê se ele não curtir nada... Aquele acalento que só a mamãe (e suas tetas de leite) podem dar. A fase da aprovação da mamadeira já passou e ele super topa. Isso já é um grande alívio pra mim, e também uma conquista. Quando pude amamentá-lo no meu colo pela primeira vez e sentir que estava alimentando meu filho, isso é algo que também não posso traduzir em palavras.
Não havia nada em que dar errado. Aliás, não tem nada errado. Choro = sono ou fome. Tinha sling e mamadeira. Pronto. O medo era outro. Mais um rito de passagem. O pai se apresenta sozinho com seu filho para a comunidade e assume sua responsabilidade sobre aquela vida perante todos. Esse pai que vai mostrar o mundo para seu filho e compartilhar sua visão e seus valores.
Mas que mundo será que esse pai vai mostrar?
Esse mundo rodeado de amigos, música e arte. É pra lá que eu fui e encontrei meu amigo Rodrigo, que me inspira como homem e pai. E ficamos juntos por um tempo e brincamos com o Ivo, e novos amigos se juntaram e minha amiga Kenia (esposa do Rodrigo) e muitas crianças... Tudo certo.
É isso.
Não vamos sozinhos no mundo.
Mas preciso estar sozinho para me juntar a ele.
E de agora em diante levo comigo meu filho Ivo.
Até quando ele não quiser mais...
sábado, 19 de abril de 2014
...e dois meses e 32 anos...
Dois meses se passaram, e dia a dia sinto que estamos cada vez mais nos misturando.
Quando pela primeira vez ele consegue parar o olhar nos meus olhos e sorrir, pude sentir o maior amor que nunca havia sentido antes... ou pelo menos um amor diferente do que havia sentido. Como se houvesse uma cumplicidade de vida sendo selada naquele momento e nada mais importa.
Sinto que agora, para ele, eu sou uma entidade separada da mãe que provém o alimento e o carinho do feminino, e a voz doce e as mão quentes. Ele pode me ver, me acompanha com os olhos e se relaciona comigo. Sem dúvida esse foi o maior salto de desenvolvimento nesses dois meses, principalmente pra mim, que sem saber como lidar com um bebê recém nascido procurava sempre uma resposta dele, como se eu precisasse de algum retorno para poder amar, curtir ou me sentir satisfeito como pai.
Ter um filho sem dúvida abre portas e janelas enormes de auto-observação e gera insights muito profundos sobre quem se é, e te coloca em xeque para mostrar uma nova vida. Essa nova vida só vai acontecer quando se permitir deixar o modelo antigo para trás, seja por um tempo ou seja pra sempre. Esse modelo antigo pra mim girava em torno do Eu... sacrificar o Eu para ser Nós é o meu maior aprendizado e o faço agora com profunda gratidão pelo meu filho e respeito principalmente pela minha maior companheira Rita.
Toda essa jornada espiritual que estamos vivendo me ensina novamente a mesma lição: entrega.
E pela entrega celebro meus 32 anos de vida.
Hoje passamos o dia na praça curtindo com amigos e comemorando a primeira saída oficial do Ivo para nossos amigos. Passou de colo em colo, viu e ouviu muita gente e muita coisa... Adorou estar em grupo e foi muito bonzinho... quando quis mamar, mamou, quando quis dormir, dormiu, quando quis chorar, chorou... e também interagiu com todo mundo. Foi uma delícia. E eu e a mamãe babamos com tudo.
Seguimos juntos, com o coração mais calmo.
Quando pela primeira vez ele consegue parar o olhar nos meus olhos e sorrir, pude sentir o maior amor que nunca havia sentido antes... ou pelo menos um amor diferente do que havia sentido. Como se houvesse uma cumplicidade de vida sendo selada naquele momento e nada mais importa.
Sinto que agora, para ele, eu sou uma entidade separada da mãe que provém o alimento e o carinho do feminino, e a voz doce e as mão quentes. Ele pode me ver, me acompanha com os olhos e se relaciona comigo. Sem dúvida esse foi o maior salto de desenvolvimento nesses dois meses, principalmente pra mim, que sem saber como lidar com um bebê recém nascido procurava sempre uma resposta dele, como se eu precisasse de algum retorno para poder amar, curtir ou me sentir satisfeito como pai.
Ter um filho sem dúvida abre portas e janelas enormes de auto-observação e gera insights muito profundos sobre quem se é, e te coloca em xeque para mostrar uma nova vida. Essa nova vida só vai acontecer quando se permitir deixar o modelo antigo para trás, seja por um tempo ou seja pra sempre. Esse modelo antigo pra mim girava em torno do Eu... sacrificar o Eu para ser Nós é o meu maior aprendizado e o faço agora com profunda gratidão pelo meu filho e respeito principalmente pela minha maior companheira Rita.
Toda essa jornada espiritual que estamos vivendo me ensina novamente a mesma lição: entrega.
E pela entrega celebro meus 32 anos de vida.
Hoje passamos o dia na praça curtindo com amigos e comemorando a primeira saída oficial do Ivo para nossos amigos. Passou de colo em colo, viu e ouviu muita gente e muita coisa... Adorou estar em grupo e foi muito bonzinho... quando quis mamar, mamou, quando quis dormir, dormiu, quando quis chorar, chorou... e também interagiu com todo mundo. Foi uma delícia. E eu e a mamãe babamos com tudo.
Seguimos juntos, com o coração mais calmo.
sábado, 22 de março de 2014
Voando alto
O primeiro voo é para sempre.
No final da gestação do Ivo, li um trecho do livro da Laura Gutman "a maternidade e o encontro com a própria sombra" onde ela trazia a imagem do pai como um passarinho que protege o ninho, que se torna o guardião do mundo de fora para o mundo de dentro, que sai e retorna para o ninho trazendo alimento e trabalhando para suprir a necessidade da família.
Quem me conhece sabe como eu me identifico com os pássaros, tanto pela sua beleza quanto pelo seu mistério. Não só pelo fato deles voarem que isso por si só já é fascinante, mas também pelo olhar profundo deles, como se carregassem uma mensagem para te dizer e ao mesmo tempo tão distantes e secretos. São raros os momentos de conseguir olhar nos olhos de um pássaro por mais de alguns poucos segundos... muito menos alcançá-lo.
Quando meu filho nasceu, incorporei essa imagem e senti na pele o que significa guardar o ninho ou fazer as saídas necessárias para suprir a família. A mãe e o filho tem uma ligação muito animal entre eles, a demanda do filho é intensa e na maior parte das vezes se diz respeito à amamentação, principalmente quando se adota a livre demanda de alimentação - o que significa estar pronta para amamentar a cada chorinho de fome. Mas não é só isso, a mãe parece nascer com o filho uma capacidade inexplicável de cuidar. Não sei se é assim com todas as mães, mas em casa eu vi isso acontecer e posso dizer que é lindo e inspirador conhecer uma nova vida brotando na minha companheira. Já nos conhecemos tanto e agora estamos nos conhecendo ainda mais.
Já esse "cuidar" para mim, está nascendo. Não posso dizer que veio junto no parto. Nem que despertou... Está sendo processado, dia após dia, devagarinho... as vezes dolorido, as vezes mais simples. Talvez seja a gestação que o homem deve passar... Tenho ficado atento para ouvir o que amigos que se tornaram pai tiveram como experiência nesses primeiros dias de vida, mas só ouço coisas como "É incrível" ou "É lindo", "No começo é pesado mesmo mas depois passa", ""...e assim por diante.
Da noite para o dia tudo mudou. Minha vida está sendo totalmente recriada. Enquanto o mundo lá fora gira rápido, o mundo aqui dentro parou. Um amigo me disse que quando sai na rua tem a sensação de estar sob o efeito de drogas - e é isso mesmo. Meus horários estão baseados em intervalos de sono, banho, trocas de fralda, cuidados e carinhos. Meu bebê acabou de chegar no mundo de fora e também está passando por uma baita transformação. Cabe a mim responder ao chamado dele a qualquer hora do dia e da noite. Estar a serviço não é mais algo pontual ou uma escolha: É um compromisso. Não é sempre lindo, nem sempre gostoso, mas é uma linda oportunidade de amadurecer que muitas vezes me assusta.
Sair da zona de conforto nunca é fácil pra ninguém... tem pessoas que estão mais pré-dispostas do que outras. Para mim dói. Meu corpo está se reestruturando. As costas, o pescoço e o braço de segurar o bebê para ninar durante longos períodos. Ficar sem dormir até antes do nascimento do Ivo era algo inconcebível... e isso mexe com os nervos. Acordar de 1 em 1h para dar colo e cuidar é um exercício de amor.
Dizem que o corpo precisa de 60 dias para mudar um hábito. Estamos caminhando, cada dia é um dia. Com a ajuda da minha companheira, mãe do meu filho, vamos juntos. Lembrando um ao outro que temos asas e que nosso voo é para o alto.
No final da gestação do Ivo, li um trecho do livro da Laura Gutman "a maternidade e o encontro com a própria sombra" onde ela trazia a imagem do pai como um passarinho que protege o ninho, que se torna o guardião do mundo de fora para o mundo de dentro, que sai e retorna para o ninho trazendo alimento e trabalhando para suprir a necessidade da família.
Quem me conhece sabe como eu me identifico com os pássaros, tanto pela sua beleza quanto pelo seu mistério. Não só pelo fato deles voarem que isso por si só já é fascinante, mas também pelo olhar profundo deles, como se carregassem uma mensagem para te dizer e ao mesmo tempo tão distantes e secretos. São raros os momentos de conseguir olhar nos olhos de um pássaro por mais de alguns poucos segundos... muito menos alcançá-lo.
Quando meu filho nasceu, incorporei essa imagem e senti na pele o que significa guardar o ninho ou fazer as saídas necessárias para suprir a família. A mãe e o filho tem uma ligação muito animal entre eles, a demanda do filho é intensa e na maior parte das vezes se diz respeito à amamentação, principalmente quando se adota a livre demanda de alimentação - o que significa estar pronta para amamentar a cada chorinho de fome. Mas não é só isso, a mãe parece nascer com o filho uma capacidade inexplicável de cuidar. Não sei se é assim com todas as mães, mas em casa eu vi isso acontecer e posso dizer que é lindo e inspirador conhecer uma nova vida brotando na minha companheira. Já nos conhecemos tanto e agora estamos nos conhecendo ainda mais.
Já esse "cuidar" para mim, está nascendo. Não posso dizer que veio junto no parto. Nem que despertou... Está sendo processado, dia após dia, devagarinho... as vezes dolorido, as vezes mais simples. Talvez seja a gestação que o homem deve passar... Tenho ficado atento para ouvir o que amigos que se tornaram pai tiveram como experiência nesses primeiros dias de vida, mas só ouço coisas como "É incrível" ou "É lindo", "No começo é pesado mesmo mas depois passa", ""...e assim por diante.
Da noite para o dia tudo mudou. Minha vida está sendo totalmente recriada. Enquanto o mundo lá fora gira rápido, o mundo aqui dentro parou. Um amigo me disse que quando sai na rua tem a sensação de estar sob o efeito de drogas - e é isso mesmo. Meus horários estão baseados em intervalos de sono, banho, trocas de fralda, cuidados e carinhos. Meu bebê acabou de chegar no mundo de fora e também está passando por uma baita transformação. Cabe a mim responder ao chamado dele a qualquer hora do dia e da noite. Estar a serviço não é mais algo pontual ou uma escolha: É um compromisso. Não é sempre lindo, nem sempre gostoso, mas é uma linda oportunidade de amadurecer que muitas vezes me assusta.
Sair da zona de conforto nunca é fácil pra ninguém... tem pessoas que estão mais pré-dispostas do que outras. Para mim dói. Meu corpo está se reestruturando. As costas, o pescoço e o braço de segurar o bebê para ninar durante longos períodos. Ficar sem dormir até antes do nascimento do Ivo era algo inconcebível... e isso mexe com os nervos. Acordar de 1 em 1h para dar colo e cuidar é um exercício de amor.
Dizem que o corpo precisa de 60 dias para mudar um hábito. Estamos caminhando, cada dia é um dia. Com a ajuda da minha companheira, mãe do meu filho, vamos juntos. Lembrando um ao outro que temos asas e que nosso voo é para o alto.
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